segunda-feira, junho 04, 2007

Família


Segunda feira, cerca de uma hora da tarde, pai e filha conversam sentados à mesa:

- Filha, passa o sal pra mim?
- Claro Papai!
- Como é que foi na escola hoje?
- Tudo ótimo Paizinho...
- Ótimo... só isso?! Quando é que vem o boletim?
- Ah. Pai... já era pra ter chegado! Reclamei e tudo na secretaria... Mas houve um atraso lá, daí vai demorar mais um pouquinho. Mas assim que chegar eu te mostro, pode ficar descansado!
- Eu sei Filhinha... Você é minha boneca! Vou pro escritório agora. Tô com trabalho até o pescoço! Vê se não falta a aula de piano, e seja simpática com o Manoel! Seu último motorista se demitiu de forma muito suspeita! Acho que você andou assustando o homem por aí... Quando eu voltar trago um presentinho pra você, se você tiver dormindo...
- Não Pai! Você esqueceu?! Hoje eu vou dormir na Claudinha... é aniversário dela! Amanhã eu vejo o presentinho...
- Tá bom querida!

Nem sempre o que se diz é o que se pensa...


Coitado do meu velho... às vezes eu tenho pena dele! Jura mesmo que com motorista particular eu assisto aquela droga de aula! Seria até um pecado, com tanta grana disponível não saber usá-la como se deve... A vida tá difícil pra todo mundo... e professor ganha tão pouco... Uma mão lava a outra, então! E quantos aniversários a Claudinha faz por ano?!

...


Essa menina pensa que me engana! É ambiciosa igual o pai. Quando crescer mais um pouquinho vai ter peito pra segurar aquela empresa e os caixas 2, 3, 4 que eu tenho por aí.
Aí sim vou poder tirar aquelas férias que eu venho planejando há anos!


A única instituição honesta ainda existente se rendeu à corrupção.

quinta-feira, maio 24, 2007


Sentei no sofá. O telefone tocou. Atendi. Era engano. Voltei a sentar. Pus-me a folhear revistas. Olhei no relógio, 9h. Levantei. Olhei-me no espelho. Até que não estava mal vestida. Fui à cozinha. Peguei um copo d’água. Olhando a geladeira, lembrei do almoço. Como ele estava lindo com aquele blusão. Será que foi ele que comprou? Ou teria sido uma ex-namorada? Não sei. O fato é que preciso urgente de umas compras. Voltei pra sala. Passei pelo espelho. Nossa! Que roupa horrível! Acho que vou me trocar. Mas será que ainda dá tempo? Olhei no relógio, 9:01. Meu Deus! Marcamos às nove. Será que ele não vem mais?

sábado, maio 12, 2007



De todas as cores; de todas as formas ...

Somos todos um!

domingo, abril 29, 2007


Formas, cores, cheiros...
Tudo ali me envolveu de tal forma que quando dei por mim, estava de boca aberta, de olhos arregalados, admirando a obra.
Não sou católica, mas hoje assisti a uma missa na Igreja de Nossa Senhora de Montserrat e Mosteiro de São Bento.
No estilo Barroco e rococó português. Colunas com formas arredondadas, cobertas de ouro. Missa em latim, canto gregoriano, o cheiro do incenso.
Mentalmente fiz uma viagem no tempo.
Estava em 1763, sentada no centro junto com as outras mulheres (lembrando que naquela época não havia bancos e, os homens, ficavam em pé nas laterais). O padre de costas, no altar, pregando a palavra em latim. Em volta, uma arquitetura fascinante, construída ao longo de muitos anos.
Abrindo os olhos, encontrei algumas mudanças. Homens e mulheres juntos, o padre de frente pros fiéis. Mas a arquitetura era a mesma, tão fascinante quanto.
Dando continuação à volta na História, fui ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Assisti a uma exposição de gravuras desde o século XV. Albrecht Dürer, Picasso, Rembrandt, Jacques Callot, entre outros. Resumindo: Um espetáculo!
Pra encerrar com chave de ouro, terminei o dia no Odeon, um cinema na Cinelândia (grande pólo cinematográfico do início do séc. XX). Assisti “Cheiro do Ralo”, com o Selton Melo.
Voltei pra casa depois de tomar um cafezinho (fiel ao Brasil por muitos anos), e com uma frase na cabeça. Pra ser mais específica, uma música de Gilberto Gil:

“(...) O Rio de Janeiro continua lindo...
O Rio de Janeiro continua sendo! (...)”.

sábado, abril 21, 2007

“ Coração, é terra onde ninguém pisa ! “

Passei toda a minha Infância, e agora minha adolescência, ouvindo essa frase. Minha mãe sempre fez questão de repeti-la, diante de uma ou outra ingenuidade minha em alguma situação. Confesso que no início, não dava muita atenção, e mais, me chateava com a idéia de que minha mãe sabia mais do que eu! Agora, no caminho da maturidade que pretendo um dia alcançar, percebo claramente, o quanto minha mãe sempre vai saber mais do que eu e quão sábia é a insistente frase.

Desde pequena sou uma pessoa social. Fazer amigos parecia um esporte pra mim, praticava diariamente. Na escola, no Ballet, no Jazz, na Natação, no curso de Inglês, de Informática, na Academia...e nas muitas outras entidades por onde já passei. Com toda essa convivência, com pessoas diferentes, acabei tornando-me extremamente observadora. Observar o jeito de cada um de olhar, andar e se expressar, tornou-se algo natural pra mim. Não quero dizer, que reparo em modo de vestir, ou algo do gênero, porque pra isso, sou paradoxalmente distraída. Refiro-me a personalidades reveladas em cada um.Acredito que isso desenvolveu nas pessoas uma sensação de confiança em mim, porque desde então acumulo confissões, e segredos, guardados a sete chaves. E, como que por conseqüência, acumulo também experiências, que somadas as minhas, no auge dos meu 18 anos, transformaram meu modo de pensar e encarar o mundo. Uma dessas transformações, e talvez a mais drástica, ocorreu justamente no meu relacionamento com os outros.

Viver em sociedade, e conviver com pessoas diferentes diariamente, não é mais tarefa fácil quanto era nas aulinhas de Ballet. A amizade tão comum na minha infância, hoje parece ter entrado em extinção. O que observo (e essa mania ainda não perdi) por todos os lados é um incrível senso competitivo que, desde criança, privilegia o mais bonito, o que tem a mochila da moda e cujo pai tem o melhor carro. E se olharmos bem, o mesmo ocorre nas empresas, em que não se trabalha mais em prol do bom funcionamento, mas do melhor cargo, da melhor reputação e do melhor partido. Hoje se vive de aparências.Está cada vez mais difícil conhecer o íntimo das pessoas. Entender o que elas realmente pensam e sentem. As palavras estão perdendo cada vez mais o seu valor (ouso dizer que daqui a um tempo não valerão mais nada!).No mundo de hoje, as pessoas fecham os olhos para as injustiças e, aqueles que sofrem com elas, nada fazem para mudar. Ninguém luta por causas sociais, apenas por causas próprias.O ser humano tem se mostrado o ser mais desumano que eu conheço!

Sinto saudades de confiar sem desconfiar... De fazer amigos de verdade, tão leais quanto os que eu conhecia quando criança. Sinto falta de dar uma informação pra um motorista perdido, sem medo do seqüestro relâmpago. De olhar nos olhos de alguém e enxergar bem mais que parte de um rosto, mas parte de sua personalidade.

Agora, mamãe, o mundo é outro!
E coração, é mesmo terra onde ninguém pisa!

segunda-feira, abril 09, 2007

O que seria de nós se a vida fosse constituída apenas de sorrisos?


Sabe aqueles dias em que acordamos nos sentindo a pessoa mais horrível do mundo?! E chega aquele alguém, que você nunca deu atenção, e exalta a sua beleza sorrindo de forma tão delicada... Só assim deixamos o orgulho e a concorrência de lado e passamos a elogiar também – aposentando o velho hábito de sempre criticar.

As lágrimas são também de grande utilidade...
É quando elas afloram que refletimos no motivo delas aflorarem, e como que por reação começamos a pensar em tudo o que pode estar errado, e o que podemos fazer para melhorar.

E nos dias em que tudo parece estar aos avessos é que percebemos quão poucos amigos nós temos. E quão valiosos são os mesmos...

É diante das incertezas que cometemos as maiores loucuras e quase sempre são os momentos mais felizes da nossa vida. Afinal, a certeza, de tão imprevisível, caiu em meio ao ócio...

Os momentos de melancolia são, portanto, grandes mestres na escola da vida.
São causas que resultam em diversas conseqüências... Dentre elas – e talvez a mais importante – está a construção de um ser humano cada vez mais humano.

Um Viva à melancolia da vida!


Ps: Texto escrito em um dia molhado, em que a chuva e as lágrimas batiam no rosto, confundindo-se. Depois de seco, este mesmo rosto nunca mais voltou a ser o mesmo.

quarta-feira, março 28, 2007

Adriana e a Tixa




Chovia forte nesta noite... e incessantemente. Adriana sentou-se na varanda e, como de costume, ficou observando a chuva cair... Já nostálgica, começou a pensar na vida, no emprego novo e nos estudos que parara... Pensamento vai, pensamento vem, quando de repente surge entre as plantas, quase que do nada, um bichinho esbranquiçado, rápido como seu grito:

- AhhhhhhhhhhhhhH...” Largatixa”, ” L-a-r-g–a- a- t- i –x- a”... socorro!

Dizem que toda mulher tem pânico de barata, lagartixa, então, era a barata da Adriana...

Na mesma velocidade que grita, sai correndo pra dentro de casa. E só pára quando esbarra na sua mãe, sonolenta ainda...

- Adriana... deixa a Tixa em paz! Que coisa!!!

quinta-feira, março 22, 2007

Abra os olhos....e veja como ele voa!



O tempo passa e nós nem nos damos conta.
Horas, minutos, segundos...se vão sem serem nem ao menos percebidos!
O que você fez pra preencher seu dia hoje?
Você já parou pra pensar que cada instante que passa, não volta nunca mais?!

Quantos abraços podem ser dados entre o seu almoço e o tempo em que espera pra voltar ao trabalho?

Quantos beijos daqueles de tirar o fôlego você deixa de dar enquanto discute o olhar desviado do seu namorado pra uma moça qualquer na rua?

Quantas conversas pode ter com seu filho, enquanto perde seu tempo ocupando-se com a vida alheia?

Compare o tempo que você passa reclamando e maldizendo os seus problemas, com o que pensa e busca soluções...

Estamos nesse mundo a passeio e, às vezes, o aproveitamos muito mal!
A vida é cheia de delícias...
Aproveite-as!

Como diria o Poeta “gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando, porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu”.